Tecnologia requer educação

Chegará o dia em que a ciência e a tecnologia permitirão ao homem realizar suas intenções de forma irrestrita. Distância, tempo, temperatura, pressão e todas as outras unidades de medida conhecidas atualmente poderão ser manipuladas.

Quando este dia chegar, as dificuldades impostas pelas atuais limitações do corpo humano serão minimizadas e tudo quanto a mente for capaz de imaginar será possível de se realizar.

Os modelos coercivos atuais, responsáveis pela manutenção da ordem, não mais funcionarão. A educação será a única saída, pois somente ela é capaz de atuar nas intenções, em oposição ao método de repressão de consequências.

Vejamos uma realidade tecnológica dos nossos dias: impressões 3D. Em pouco tempo, talvez 3 anos, a tecnologia será economicamente viável para boa parte da população mundial. Fatos como a recém divulgada notícia sobre baixar um arquivo da internet e imprimir sua própria arma serão triviais. As pessoas poderão produzir qualquer espécie de objeto, com potencial para o bem comum ou não.

Google Glass

Da mesma forma, o aprimoramento do corpo humano através da tecnologia (human augmentation) modificará nosso comportamento. Vários dos limites naturais que hoje inibem ou dificultam ações agressivas ao direito do próximo deixarão de existir. Analisando ao extremo, o Google Glass (figura ao lado) já é um sinal de como a tecnologia pode interferir na forma que nosso corpo se relaciona com o ambiente e com outras pessoas, apesar de não ser intrusivo como se vislumbra a tecnologia aplicada ao corpo humano. Não desmerecendo os grandes benefícios que o projeto oferece, o Google Glass significa também um potencial de violação à privacidade, dado que tudo que se vê pode ser registrado e compartilhado.

E por falar em registro de imagem, tracemos um paralelo com a mudança cultural que se estabeleceu sobre o simples ato de fotografar. Pensemos na simples frase: “proibido tirar fotos”. Em uma época onde a maioria absoluta dos dispositivos celulares já conta com máquina fotográfica e existem mais linhas celulares ativas no Brasil do que a quantidade de habitantes, seria possível garantir que nenhum visitante fizesse um registro fotográfico de um evento qualquer? A resposta sim para esta pergunta somente seria possível em um grupo altamente conscientizado sobre a conseqüência nociva do seu ato, o que se daria pela educação destes indivíduos e não simplesmente pelo controle e punição das violações à regra, dada a inviabilidade prática deste controle.

A melhor parte desta história é que ao longo de sua existência, o ser humano se adaptou às dificuldades e aos desafios que a natureza lhe impôs, superando fatores que seriam capazes de levá-lo à extinção. Se hoje defendemos a educação e a cidadania como fundamentais, no futuro próximo estes fatores serão uma questão de sobrevivência.

E sim, quando este dia chegar, esteja certo que o homem, que somos nós, terá cuidado para que esta questão esteja resolvida.

A hora de começar é já. Podemos trabalhar para que os avanços científicos e tecnológicos sejam, para nós, ferramentas catalizadoras na formação de cidadãos, subsidiando uma existência saudável, sustentável e produtiva.

 

Vinicius Soares