Processos precisam ser leves

Ontem passei uma vergonha enorme.

Imagine um sujeito com fome. Agora imagine este mesmo sujeito com a cabeça longe, matutando sobre um cenário desafiador de um cliente. É muita sinestesia e introspecção para um único corpo. A “tragédia” estava anunciada e esta desconexão do mundo externo não iria dar certo.

Entrei na cantina distraído. Quando já estava lá pelo meio do salão, percebi que a Francisca estava limpando o chão. Deixei um rastro de pegadas. Minhas orelhas ficaram vermelhas automaticamente.

Pedi desculpas para a Francisca. Ela me olhou com aquele sorriso de todos os dias e disse: “Agora que você já está aí, acaba de entrar.” E riu. Me deu instruções: “Fique ali perto do balcão.”

Peguei um pão. Um café. Naquele misto de fome e vergonha, passei manteiga no pão e fiquei ali mastigando…

Mais uma instrução: “Agora passe para o lado de lá que eu preciso enxugar aqui.” Instrução clara, objetiva. E carinhosa.

“Limpe os pés neste pano.”

Saí de lá com a fome saciada. E a cantina ficou limpa.

Devolvi para a Francisca o sorriso que ela me entregou.


Quantas vezes nossos colegas de trabalho deixam pegadas sujas no nosso trabalho? Quantas vezes nossos clientes nos fazem alterar a ordem do nosso trabalho?

Quantas destas vezes nós respondemos sorrindo, deixando claro que aquilo não era o planejado, mas que tudo bem, a gente se ajeita?

E nestas horas eu me lembro de uma fala que aprendi com o José Francisco, que se não me engano ele escutou nos tempos em que trabalhava na Avibrás: “Processos são uma trilha, não um trilho.”

Vinicius Soares

Publicado originalmente no LinkedIn de Vinicius Soares