O pecado da omissão

Minha vocação para passar vergonha vem de longe. rsrsrsrs Começou na adolescência, enquanto torturava o violão na roda de amigos. Foi naquela época que eu me dei conta, pela primeira vez, de uma máxima que carrego comigo até hoje:

“Para o povo se divertir, alguém tem que pagar o mico.” – Eu mesmo, 15kg mais magro, lá pela década de 90.

O que este ditado tem a ver com omissão, que é o título deste artigo?

Tem a ver com a capacidade de se expor. Tem a ver com a coragem de errar. Tem a ver com a vontade de ver algo feito, não necessariamente perfeito. Tem a ver com defender o que você acredita, independente da imagem que isto vai gerar da sua pessoa.

Em liderança, está relacionado com saber tomar decisões e assumir falas impopulares, mas necessárias.

A história de hoje é a seguinte:

*************************

Participo de um grupo de WhatsApp específico, onde uma pessoa, voluntariamente, faz a ata do grupo todos os dias, exceto domingos e feriados. E não é qualquer grupo. É um grupo que às vezes bate mais de mil mensagens por dia.

Em um determinado momento, me pareceu que o trabalho voluntário desta pessoa estava sendo criticado. E a crítica me soou desrespeitosa. Me deu aquela sensação de obra da COPASA (Como chama o departamento de água da sua cidade?), onde tem umas três pessoas pra fora do buraco, gritando e dando ordens para um único sujeito lá embaixo, todo sujo.

Pensei comigo:

“Todo mundo sabe que não se entra em discussão em grupo de WhatsApp”.

“Não entre em discussão por escrito. A escrita não transmite a emoção certa. Você pode estar entendendo errado. Você pode ser entendido errado.”

“E se eu falar algo que detone o meu relacionamento com o grupo?”

Claro que depois disto tudo passar pela minha cabeça, a decisão só podia ser uma: Escrever uma resposta, é claro! rsrsrsrsrs

Sabe por que eu decidi responder? Porque do outro lado da cachola, as reflexões eram as seguintes:

“Se errar por amor, Deus abençoa.” (Djavan – A Carta – 1998)

“Se fosse eu o alvo da suposta crítica, como eu me sentiria?”

“Prefiro errar a me omitir.”

“Se perceber que errei, corrijo e peço desculpas sinceras.”

E assim o fiz.

Se eu estava certo ou errado? Não sei responder. Nem sempre existe uma verdade absoluta. Aliás, quase nunca. Mas no final, todos expuseram seus pontos de vista e chegamos a um acordo, onde indubitavelmente o trabalho voluntário foi valorizado.

E terminei esta história com a consciência tranquila de ter feito o que senti que era preciso. Que não me omiti.

Não percamos nossa capacidade de nos indignarmos. E que esta indignação tenha voz. E, mais do que voz, braços.

Vinicius Soares

Postado originalmente no LinkedIn de Vinicius Soares