Manifestação 2.0

As manifestações dos últimos dias foram intensamente marcadas pelo uso da tecnologia. Estamos vivendo a manifestação 2.0.

Simples: sabe a quebra de paradigma da web 2.0, que se resume na expressão “colaboração”? Aquela web 2.0, onde a principal fonte de conteúdo deixou de ser a mídia e passou a ser o próprio público? Pois bem: esta estrutura colaborativa e participativa deu a pessoas comuns o papel de comunicadores. Quer tirar a prova? Faça uma pequena pesquisa com seus colegas e pergunte se eles tomaram conhecimento dos principais fatos da manifestação através da TV, de um portal de notícias ou das redes sociais.

A garantia que a informação difundida foi gerada pelo povo permeia as entranhas da democracia. Há algumas décadas a imprensa, em especial a TV, poderia ter manipulado as informações, dando mais ênfase no lado que mais lhe interessasse divulgar. Nossa manifestação 2.0 é imune a isto. Esta informação é tão verdadeira quanto o fato de um jornalista renomado voltar atrás em suas opiniões após ser bombardeado por diferentes pontos de vista expressos pelo povo na web colaborativa.

A geração de conteúdo não é mais privilégio da imprensa. A produção e o compartilhamento de conteúdo agora são feitos em tempo real, pelo próprio protagonista da história, não por um narrador terceiro e parcial. Smartphones equipados com câmeras e conectados à internet via 3G compartilham com todo o mundo o que está acontecendo no exato momento do fato. Mesmo os artistas, influenciadores, que antes dependiam da aprovação das grandes organizações para expressar suas opiniões, hoje se manifestam livremente no facebook, twitter e youtube. Haja banda para escoar tanta informação. Haja servidor para armazenar tanto dado. Viva a tecnologia! Dá-lhe Big Data!

As coisas não param por aí. Centenas de milhares de assinaturas são recolhidas em abaixo-assinados eletrônicos, como a petição contra a PEC 37 movida pelo portal avaaz.org. As redes sociais difundem informações em um piscar de olhos, facilitando a aglutinação de pessoas com interesses comuns, organizando movimentos e fortalecendo argumentos pela riqueza de discussões, diversificadas tanto na ideologia quanto na geografia.

Para tudo isto ficar perfeito, só precisamos melhorar o bicho homem. Nós temos que ser o exemplo de postura ética que estamos reivindicando dos nossos representantes. A tecnologia está aí para garantir que as ferramentas não faltem. Vamos em frente nesta marcha pela cidadania.

Vinicius Soares