Entre ninguém e todo mundo, existe a gente

Sabe quando você está rolando a timeline da rede social despretensiosamente?

Foi numa ocasião destas que eu li, há muito tempo (nas águas da Guanabara*), sobre uma tal de “Reunião Strip Tease”. Tem tempo isto. Nem me lembro quem escreveu.

* Tenho uma péssima mania de pensar em músicas enquanto falo! Salve João Bosco!

Mas a história era mais ou menos assim: Você entra na reunião, sem saber o que vai rolar. Nem mesmo o assunto da reunião está muito claro. De repente, um(a) executivo(a) saca um documento (ou um powerpoint), e começa a revelar informações. E fica olhando para você, monitorando sua reação.

A reunião vai passando, a gente já não se lembra muito bem como ela começou, nem sabe quando e como ela vai terminar. Se a conversa está animada, a gente começa a curtir. Se a coisa está feia, a gente começa a se perguntar o que está fazendo ali…

E depois daquele monte de informação que te pegou de surpresa, é preciso reagir! Não importa se a reunião foi horrível, vai lá! Concentra e manda a sua melhor resposta!

E o fim, muitas vezes, é o mesmo: ao final de uma reunião strip tease, sendo boa ou ruim, as coisas não ficam muito diferentes do que eram antes de começar.


Tenho feito um exercício há alguns anos. Tenho procurado, antes das reuniões, enviar por e-mail o assunto que vai ser discutido e a decisão que precisa ser tomada. Se existem documentos com informações que precisam ser conhecidas para tomar decisão, os compartilho previamente.

Um dia me disseram (que as nuvens não eram de algodão – ops, tropecei de novo) que não é legal compartilhar documentos antes, pois as pessoas podem entender errado e tirar conclusões precipitadas.

Eu prefiro confiar na capacidade de entendimento dos meus colegas, e assumo a responsabilidade por redigir um documento compreensível. Ainda assim, pode ser que realmente eles entendam algo errado, mas é para isto que serve uma reunião: para discutir; para alinhar entendimentos; para decidir. É um “risco” que vale à pena correr. Risco entre aspas, né, porque vamos concordar: é uma situação muito simples para uma palavra tão abrangente.

Então: reunião para informar, só se existir um motivo pelo qual todos tenham que saber ao mesmo tempo. Fora isto, é perda de tempo, mesmo.

Mas o que me inspirou realmente a escrever este artigo foi um diálogo épico que rolou com um amigo no trabalho hoje:

Ele disse:

– “Ah, se todo mundo compartilhasse as informações e a pauta antes da reunião!”

Com o astral filosófico que uma sexta-feira inspira, respondi:

– “Entre ninguém e todo mundo, existe a gente.”

Agora esquece a reunião. Vamos falar de mudança. É assim que funciona: No caminho do ninguém para o todo mundo, alguém tem que puxar a fila. Bora lá?

Texto publicado originalmente no LinkedIn de Vinicius Soares