Energia vs. Mudança

Todo processo de mudança exige esforço. A rotina, os costumes, as crenças e os valores tendem a gerar inércia. Para quebrar esta inércia, é preciso dispender energia rumo ao objetivo traçado, definindo novos padrões de comportamento e a maneira de verificar se o comportamento está sendo alcançado.

O exagero
Exponencial

Na ânsia de mudar, é comum exagerarmos na dose e sairmos de um extremo ao outro. Normalmente esta situação acontece quando despendemos muita energia sem controle e as ações não são exatamente controladas pelo objetivo a ser alcançado, mas pela emoção gerada com a frustração sobre a situação atual. Fazendo analogia à matemática, é como uma curva exponencial, onde o ponto final é, definitivamente, diferente do ponto inicial, mas isto não quer dizer que ele seja de fato o ponto onde deveríamos estar. Ao aplicar esta energia sem controle, com certeza não seremos os mesmos, mas o resultado esperado certamente não será alcançado e os benefícios dificilmente serão colhidos.

A cautela excessiva
Logaritimica

Se por um lado despender energia sem controle não se mostra um bom caminho, o excesso de controle também prejudica o processo de mudança. Mudança quer dizer lidar com coisas novas e em tudo o que é novo existe risco. Trocando em miúdos, quem quer mudar deve estar disposto a correr riscos, deve estar disposto a errar. Se por um lado o uso exclusivo da emoção gerou exagero, por outro lado o uso exclusivo da razão pode gerar lentidão no processo, fazendo com que o resultado esperado seja alcançado em um prazo muito longo ou, como acontece algumas vezes, que ele nunca seja alcançado. É como em uma função logarítmica.

O equilíbrio
Overshoot

Além da importância de definirmos racionalmente os objetivos, as formas de medi-lo, os padrões de comportamento esperados, devemos considerar que somos seres humanos, que temos emoções, que vivemos em comunidade e, principalmente, que temos o direito de errar. Um processo de mudança absolutamente tomado pela razão nos transformaria em robôs e logo perceberíamos os efeitos negativos que isto significaria para a convivência em sociedade.

Portanto, um processo equilibrado de mudança deve ter sua componente racional e sua componente emocional, permitindo que a ousadia que a emoção gere esteja equilibrada com uma carga racional. É como o overshoot de partida de um motor, onde toda a energia gerada pelo consumo do combustível é paulatinamente direcionada ao ponto de equilíbrio.

E em qualquer situação, o que nos manterá dentro da linha do objetivo são os feedbacks do mundo. Devemos usar todos os nossos sentidos para perceber as mudanças que também estão acontecendo no mundo em função das nossas e para perceber como e se as nossas mudanças estão sendo percebidas pelo mundo.

Como quem quer mudar não pode ter medo de errar, devemos conversar com as pessoas envolvidas na situação que estamos mudando e perguntar sobre suas percepções acerca deste processo, sem medo de ouvirmos a resposta que não queremos e dispostos a pedir desculpas se o resultado não foi o que esperávamos.

Vinicius Soares