Defeito ou qualidade?

Creación_de_Adán_(Miguel_Ángel) - sqJá pensou que sua melhor qualidade pode ser o seu maior defeito?

Uma qualidade carrega em si um defeito em potencial e vice-versa.

A organização em excesso pode nos tornar sistemáticos; Já o extremo da flexibilidade é a total desorganização.

A criatividade pode gerar falta de foco; A alta produtividade pode implicar em dificuldade para lidar com mudanças.

A extroversão acentuada pode significar dificuldade de concentração; Da mesma forma, alto poder de concentração pode conduzir à introversão.

Convicção sem controle pode levar ao autoritarismo; Dúvidas demais podem gerar omissão.

Mas o que é mais importante? A organização ou a flexibilidade? A criatividade ou a produtividade? Comunicar ou concentrar? Convicção ou dúvida? Em todos os casos, a resposta é: ambos.

Se para cada projeto – pessoal ou profissional – precisamos da combinação de diferentes competências, e se concluímos que enquanto indivíduos, pela nossa natureza humana e limitada, não alcançamos todas elas, fica nítida a importância de nos agruparmos para obter a complementaridade necessária à obtenção do resultado. Isto vale desde as formas mais básicas de união, como o casamento, até a formação de equipes profissionais de alto desempenho.

A armadilha, no entanto, é a tendência a buscarmos semelhantes. A semelhança é necessária e produtiva no que diz respeito aos valores que conduzem o comportamento, para que seja possível um acordo sobre o objetivo a ser atingido e sobre a validade ética do caminho escolhido. E ponto. A partir daí, a riqueza virá da diversidade de modelos mentais, apresentando diferentes formas de se executar a estratégia, bem como evidenciando os pontos fracos da abordagem alheia.

As diferentes ideias podem ser pensadas como retalhos de tecido, sendo costurados pela linha dos valores, que não pode ser rompida, e pela agulha dos objetivos, que definirá como os valores permearão as ideias e dará coesão a elas.

Por fim, é importante ficar claro que nossas qualidades podem soar, para os diferentes de nós, como defeitos, exatamente da mesma forma que às vezes enxergamos defeitos no outro. E se alguém pode e deve quebrar este ciclo, que sejamos nós, ao enxergar à nossa volta nossos complementos e, desta forma, evoluindo como pessoas, empresas e sociedade.

Vinicius Soares