A era da informação acabou. Bem vindo à era da infraestrutura.

Na última década os apps e negócios de curtíssimo ciclo de vida drenaram investimentos e atenções. O Uber é mais cool que a Cisco e chegou a alcançar mais valor que a Petrobras. Um jovem fica em dúvida entre trabalhar no Facebook ou na 3M. Ótimo que a Tesla esteja quebrando este ciclo. Uma empresa de valor real e de longo prazo tendo mais valor que modismos de valor questionável. Vamos em frente construir esta infraestrutura sustentável, a existência humana depende disto. Mais infra-estrutura, mais serviços, menos posse, mais compartilhamento, mais responsabilidade, mais vida. – Vinicius Soares

 

O texto a seguir foi traduzido de “The Information Age Is Over. Welcome to the Infrastructure Age. – Annalee Newitz”

 

Ninguém quer admitir, mas o Apple Watch é uma chatice. Assim como a maioria dos smartwatches. Todas as vezes em que eu uso o meu bonito Moto 360, a sua falta de funcionalidade me desespera. Mas o problema não são os nossos gadgets. É que o futuro da tecnologia de consumo não virá dos dispositivos de informação.

É por isto que o anúncio de Elon Musk da nova linha de baterias da Tesla noite passada foi mais revolucionário que o Apple watch e mais excitante que as reconhecidamente bacanas HoloLens da Microsoft. A tecnologia da informação não está morta – ela apenas amadureceu ao ponto onde tudo o que vamos obter são melhores iterações da mesma coisa. Melhores câmeras ou apps para nossos telefones. Reconhecimento de voz que realmente funciona. Mas estes não são gadgets revolucionários. Eles são apenas a realização de sonhos que começaram na década de 80, quando a revolução da informação transformou o mercado de eletrônicos de consumo.

Mas agora estamos entrando na era dos gadgets de infraestrutura. Graças a dispositivos como a bateria doméstica da Tesla, Powerwall, a tecnologia de matrizes elétricas que até então estava escondida atrás de cercas de arame farpado, pertencentes ao estado, está agora lentamente se infiltrando em nossas casas. E isto não é somente sobre energia alternativa como a solar. É sobre como nós compreendemos o que é tecnologia.  É sobre que tipos de gadgets nós iremos comprar para nós mesmos nos próximos 20 anos.

É sobre como as crianças de amanhã não vão pirar com terabytes de armazenamento. Eles vão pirar com kilowatt-horas.

Além de transformar nosso relacionamento com a energia, a era da infraestrutura é sobre onde nós esperamos que os computadores estejam. A então chamada Internet das coisas (IoT) é uma grande parte disto. Nossos computadores não estão vivendo em caixas isoladas na nossa mesa de trabalho, e eles não estarão dentro de nossos telefones também. Os apps no seu telefone não irão sempre te sugar para mundos virtuais, para onde você pode fugir para construir casas de árvores e túneis no Minecraft. Ao contrário, elas irão controlar sua casa, seu transitar e até mesmo o seu corpo.

Uma vez que você aceite que aquilo que nossos ancentrais chamaram de supervia da informação irá de fato estar controlando carros nas nossas supervias automotivas da vida real, você começa a apreciar a mudança de maré que estamos testemunhando. A internet não é uma coisa em algum lugar, dentro de uma caixinha brilhante. Ela está na sua máquina de lavar, nos acessórios de cozinha, no alimentador de animais domésticos, nos seus próprios órgãos internos, no seu carro, nas ruas e em todas as paredes da sua casa. Você pode utilizar seus wearable devices para interagir com o mundo.

"SpaceX Falcon 9"
“SpaceX Falcon 9” por SpacecoasterVBG – Trabalho próprio pelo carregador. Licenciado sob CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Para mim faz todo o sentido que uma companhia como a Tesla poderia estar no coração da nova era da infraestrutura. O foco do Elon Musk sempre foi persistentemente sobre remodelar o mundo físico, mudando a forma que nós energizamos ou transitamos – e, com o SpaceX, onde futuras gerações poderão viver além da Terra. O oposto do cyber espaço é espaço físico. E isto é onde a Tesla está nos levando.

Mas na era da infraestrutura, o espaço físico tem sido irrefutavelmente transformado pelo cyber espaço. Agora nós usamos computadores para interagir com o mundo de forma que nunca poderíamos antes das redes de computadores e análise de dados, utilizando dispositivos de sensoreamento distribuídos para alertar previamente as pessoas sobre terremotos que estão chacoalhando sob o solo – e usando satélites como o SMAP da NASA para prever secas anos antes que elas aconteçam.

Claro, existem perigos inevitáveis que vêm da fusão entre o espaço físico e todas as vulnerabilidades do cyber espaço. As pessoas irão hackear sua casa; irão injetar código malicioso nos drones de entrega de mercadorias; roubar seu telefone pode se tornar equivalente a roubar o seu carro. Ainda estaremos extraindo recursos de forma insustentável para suportar nossas gloriosas baterias e fotovoltaicos, e nossas danceterias inteligentes.

Mas também iremos nos beneficiar enormemente da personalização da matriz energética, criando um “coração” alimentado por bateria para cada casa. Adicionalmente, a era da infraestrutura leva diretamente ao espaço exterior, para endereçar grandes problemas da sobrevivência humana, e desvia a nossa empobrecida atenção de ficar olhando neuroticamente para a cena social que se revela nos retângulos finos e brilhantes em nossos pulsos.

A era da informação nos uniu, para o bem ou para o mal. Ela nos permitiu entender o nosso ambiente e nossos corpos de forma que nunca pudemos antes. Mas a era da infraestrutura é que irá nos prevenir de matarmos a nós mesmos à medida em que crescemos como uma civilização realmente global. Isto é de longe muito mais importante, e excitante, que qualquer relógio dourado poderia ser.

Link para o artigo original: http://gizmodo.com/the-information-age-is-over-welcome-to-infrastructure-1701477972